A cooperação internacional na área nuclear ganhou novo impulso em março com a visita de uma delegação chinesa à Comissão Nacional de Energia Nuclear. O encontro teve como foco o fortalecimento de parcerias estratégicas na gestão de rejeitos radioativos, tema considerado central para o avanço seguro do setor nuclear no Brasil.
Entre os dias 16 e 19 de março, representantes da China National Nuclear Corporation, por meio de suas subsidiárias: CEPC e CNOS, estiveram no país para discutir oportunidades de cooperação técnica com especialistas brasileiros. A agenda incluiu reuniões institucionais e visitas a instalações de referência na área nuclear.
O principal destaque das discussões foi o projeto Centena (Centro Tecnológico Nuclear e Ambiental), iniciativa que prevê a implantação do primeiro repositório definitivo da América Latina para rejeitos radioativos de baixo e médio nível, resíduos gerados em atividades como medicina, indústria, pesquisa e operação de usinas nucleares.
Durante os encontros, foram debatidos aspectos técnicos e experiências entre os países, que envolveu temas como transporte e tratamento de rejeitos, proteção radiológica e capacitação de profissionais.
A visita integra os desdobramentos dos Memorandos de Entendimento firmados entre as instituições em novembro de 2025, que estabeleceram bases para uma cooperação contínua em áreas estratégicas do setor nuclear. A expectativa é que a parceria contribua para o desenvolvimento tecnológico e para o aprimoramento das práticas de segurança no Brasil.
Além das reuniões na sede da CNEN, a delegação chinesa conheceu importantes centros de pesquisa, como o Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN/CNEN) e o Instituto de Engenharia Nuclear (IEN/CNEN), e visitou a Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, operada pela Eletronuclear. As visitas permitiram aos representantes estrangeiros avaliar de perto a capacidade técnica e científica brasileira, além de identificar novas possibilidades de cooperação.
Como próximo passo, está prevista para maio de 2026 a formalização de um Acordo de Cooperação Técnica entre as instituições envolvidas, consolidando o avanço das tratativas e reforçando o papel do Brasil no cenário internacional da tecnologia nuclear.
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Fonte: Comunicação CNEN
Foto: Douglas Troufa/ CNEN