Estudantes do Instituto Militar de Engenharia (IME) integraram a TupiTech, equipe brasileira que realizou um marco histórico ao se tornar vencedora do Global Hackatom 2025, realizado durante a World Atomic Week (WAW), em Moscou.
Foi a primeira vez que uma equipe brasileira venceu a disputa internacional, que reuniu participantes em uma maratona de 24 horas de desafios. O propósito desta edição era criar soluções para a exploração espacial utilizando a nova geração de tecnologias nucleares.
Liderada por Larissa Oliveira de Sá, mestranda em Engenharia Nuclear, a equipe TupiTech também contou com os pesquisadores Diógenes Kreusch Filho, Marcela Rabelo de Lima, Leonardo Zortea e Adriel Faddul Stelzenberger. A equipe recebeu mentoria da professora Inayá Corrêa Barbosa Lima, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O nome TupiTech surgiu do desejo de trazer a herança cultural e natural brasileira para o universo tecnológico. A escolha foi feita por votação entre os integrantes, e uma das participantes é descendente direta de povos indígenas.
“Essa conquista vai muito além do 1º lugar. Ela mostra ao mundo que o Brasil tem capacidade técnica e científica para contribuir com projetos internacionais de altíssima complexidade — especialmente nas áreas nucleares”, destacou a professora Inayá Corrêa.
Para Larissa, a experiência imersiva foi desafiadora.
“Foi completamente diferente da etapa no Brasil. Estávamos em um país com idioma e fuso horário diferentes. Apesar da organização da Rosatom ter nos dado três dias de ambientação, ainda assim o cansaço foi grande”, contou.
Ela ressalta que, em retrospecto, a imersão no universo nuclear, com visitas a museus e palestras, foi uma vantagem para o grupo.
O projeto TupiSpace
Segundo a professora Inayá, o projeto desenvolvido pela equipe, chamado TupiSpace, “não era apenas um reator nuclear, mas um plano detalhado para criar um hub lunar capaz de produzir água, oxigênio, hidrogênio e combustível a partir dos próprios recursos do ambiente, com a cooperação dos países do BRICS”.
A proposta visava reduzir a dependência da Terra, viabilizar missões mais longas e abrir caminho para colônias autossuficientes na Lua e, futuramente, em Marte.
“Essa visão ampla — que uniu tecnologia de ponta com um propósito civilizacional — foi o que nos destacou”, completou a professora.
Larissa também explicou o diferencial estratégico da proposta:
“Pensamos como uma consultoria desenvolvendo um projeto para uma empresa. Consideramos o que fazer, como fazer, quando, onde e com qual investimento, e quando esse investimento teria retorno. Isso tornou a proposta mais completa. ”
Conselhos para futuras gerações científicas
Ao ser questionada sobre conselhos a outros estudantes que desejam participar de competições internacionais de tecnologia, Larissa foi direta:
“Sejam estratégicos. Escolham pessoas que se complementem, que saibam trabalhar em grupo. E sigam etapas bem definidas:
1° Estudem o tema com profundidade antes da competição;
2º Entendam o desafio: muitos perdem por fugir do tema proposto;
3º Respeitem as etapas da criação: compreensão do desafio, brainstorming, planejamento e desenvolvimento. Fazendo tudo de forma estruturada, suas chances de sucesso aumentam muito.”