Estudante de Engenharia Nuclear da UFRJ é premiado em competição internacional de economia na Sibéria

Estudante de Engenharia Nuclear da UFRJ é premiado em competição internacional de economia na Sibéria

O estudante Vinícius Costa da Silva, do curso de Engenharia Nuclear da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi premiado na categoria Economia da Olimpíada Internacional de Segurança Financeira, realizada na cidade de Krasnoyarsk, na Sibéria (Federação da Rússia). O evento, que reuniu mais de 600 finalistas de 40 países, celebra a integração entre jovens talentos e instituições de ensino superior de todo o mundo.

A competição é promovida desde 2022 e conta com a participação de universidades de destaque, como a UFRJ, que enviou oito alunos para a fase final neste ano. Vinícius foi o único brasileiro laureado nesta edição, um feito que reforça não apenas sua trajetória acadêmica, mas também o potencial do ensino superior brasileiro na formação de profissionais preparados para desafios globais.

“É uma grande conquista pessoal e acadêmica. Eu atuo no setor nuclear, mas também participo de um laboratório de lógica fuzzy, orientado por um engenheiro e economista que me inspira muito. Aprendi bastante sobre economia com ele, e poder aplicar esse conhecimento em um evento internacional foi extremamente gratificante”, contou Vinícius.

Apesar de a olimpíada não estar diretamente ligada ao campo nuclear, o estudante destacou que as habilidades desenvolvidas em sua formação foram essenciais para o bom desempenho. A avaliação dos participantes envolve o estudo de riscos e cenários econômicos, áreas que têm interface direta com o setor nuclear, especialmente em temas como gestão de risco, modelagem matemática e segurança.

“Trabalhamos muito a questão de riscos, e isso é algo que também faz parte do setor nuclear. Consegui aproveitar muito do que aprendi na engenharia, o que mostra como as áreas se conectam”, completou.

Além da conquista na competição, Vinícius participou de um torneio interno de xadrez, chegando entre os oito finalistas que jogaram no palco principal contra o grande mestre russo Sergey Karjakin, em uma das atividades culturais paralelas à olimpíada.

 

Formação internacional e intercâmbio de conhecimento

Esta foi a segunda viagem de Vinícius à Rússia em 2025. No início de setembro, ele esteve em São Petersburgo participando do evento “Komanda 2025”, promovido pela empresa estatal russa de energia nuclear Rosatom, onde apresentou um artigo sobre Pequenos Reatores Modulares (SMR) sob orientação dos professores Carlos Cosenza e Fabio Krykhtine.

Para o professor Fabio Krykhtine, coordenador especial de Relações Internacionais para a Rússia na Escola Politécnica da UFRJ, a cooperação acadêmica entre os dois países tem ampliado significativamente as oportunidades de intercâmbio e formação de estudantes brasileiros.

“A cooperação com a Rússia tem criado muitas oportunidades para os alunos. Em alguns casos, os próprios organizadores financiam as ações de mobilidade, o que permite um acesso profundo à cultura, à inovação e à pesquisa. Com a recente abertura da Sala Innopraktika no Centro de Tecnologia da UFRJ, esperamos que essa interação promova ainda mais oportunidades”, afirmou.

 

Competências que ultrapassam fronteiras

A trajetória de Vinícius ilustra a natureza multidisciplinar da Engenharia Nuclear, uma área que, além de física e tecnologia, exige compreensão de gestão, economia e segurança — competências essenciais para quem busca atuar em um setor estratégico e de alto impacto.

Para o estudante, experiências internacionais como essa ampliam a visão de mundo e a compreensão do papel da energia nuclear no desenvolvimento sustentável e tecnológico.

“Quando você participa de um evento global, percebe que muitos países enfrentam desafios semelhantes aos nossos. É uma troca de experiências que enriquece nossa formação e amplia o olhar sobre o setor nuclear. Eu quero seguir aprendendo e, no futuro, contribuir para o desenvolvimento do Brasil”, declarou.

 

Planos para o futuro

Após a conquista, Vinícius pretende concluir a graduação e dar continuidade à sua formação acadêmica com um mestrado na Rússia, fortalecendo ainda mais os laços entre os dois países no campo da ciência e tecnologia nuclear.

“Quero voltar para o Brasil depois e aplicar o que aprender lá. Precisamos de pessoas dispostas a fazer a diferença no nosso setor nuclear”, finalizou.

Fotos: Arquivo pessoal