O Cazaquistão deu início a uma nova etapa no setor energético nacional: a construção de sua primeira usina nuclear de alta capacidade. A obra, que contará com tecnologia russa de ponta, começou na última sexta-feira (8) na vila de Ulken, no distrito de Zhambyl, com o início das pesquisas de engenharia.
A planta utilizará reatores VVER-1200, de Geração III+, reconhecidos mundialmente por seu alto nível de segurança e eficiência. Com capacidade elétrica de 1.200 MW, esses reatores têm vida útil estimada em 60 anos, podendo ser estendida por mais duas décadas. O modelo já opera ou está em construção em países como Rússia, Belarus, Turquia, Bangladesh, Egito e China.
Primeiros passos: análise do solo e viabilidade do local
Especialistas da Divisão de Engenharia da Rosatom, estatal russa responsável pelo projeto, já iniciaram a perfuração do primeiro poço exploratório e a coleta de amostras de solo. Serão analisados fatores como estabilidade sísmica, condições hidrogeológicas e características ambientais da região. Ao todo, pelo menos 50 poços, com profundidade entre 30 e 120 metros, serão perfurados nesta fase.
Esses estudos determinarão a localização exata da usina, garantindo que o projeto atenda aos mais rigorosos padrões nacionais e internacionais de segurança e confiabilidade, além de minimizar riscos ambientais.
Cooperação estratégica
O projeto é fruto de um acordo entre o Cazaquistão e a Rússia para uso pacífico da energia nuclear. Em junho de 2025, durante o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, os dois países firmaram um roteiro de cooperação que prevê a realização das pesquisas de engenharia, a preparação da documentação técnica e a assinatura de um contrato EPC (Engenharia, Suprimentos e Construção).
Para Alexey Likhachev, diretor-geral da Rosatom, “o início das pesquisas em Ulken marca o começo da jornada rumo à primeira usina nuclear de alta capacidade da história moderna do Cazaquistão”. Já o presidente da Agência Cazaque de Energia Atômica, Almasadam Satkaliyev, destacou que o projeto é um passo estratégico para o desenvolvimento econômico, com impactos que vão desde a infraestrutura até melhorias sociais, como escolas e creches.
Segurança energética e descarbonização
A futura usina nuclear terá papel fundamental na segurança energética de longo prazo do Cazaquistão e no cumprimento de metas de redução de emissões de carbono. O país já tem histórico na área, tendo operado o reator BN-350, em Aktau, de 1972 a 1999, que também abrigava um dos maiores complexos de dessalinização de água do mar do mundo.
Com a Rosatom liderando um consórcio internacional, o empreendimento consolida-se como um marco para a diversificação da matriz energética cazaque, fortalecendo a infraestrutura nuclear e posicionando o país como referência em tecnologia limpa na Ásia Central.