O programa Catalisa ICT, do SEBRAE, voltado a transformar conhecimento científico em soluções de alto impacto, avançou para a segunda fase, dedicada à validação dos projetos selecionados. Entre os aprovados estão duas iniciativas promissoras: a pesquisa de Nathali Barbosa, que propõe uma síntese verde de nanopartículas de prata para o tratamento multimodal de câncer de cabeça e pescoço, e o projeto de Arthur Reis Martins, que desenvolve tecnologias nucleares avançadas com potencial de aplicação em microrreatores, SMRs e reatores de maior potência, tipo PWR.
Arthur é engenheiro de energia, com ênfase em área nuclear, e já possui experiência no empreendedorismo científico. Fundador da deeptech @InovaApi, voltada à apicultura, o pesquisador destaca que o programa tem sido uma oportunidade de ampliar conexões e compartilhar conhecimento.
“O Catalisa ICT tem me aberto portas para eventos e discussões relevantes sobre o setor. Cada participação é uma chance de aprender mais e fortalecer o projeto”, afirma.
Já Nathali, que está dando seus primeiros passos no empreendedorismo científico, conta que o incentivo à inovação surgiu durante o mestrado.
“É tudo muito novo para mim. Fui incentivada a seguir por esse caminho. Durante o meu mestrado, pensei em desenvolver um produto, mas não deu certo na época. Agora estou realmente motivada”, relata.
Ao comentar sobre o potencial de inovação tecnológica, Arthur explica que a proposta busca ampliar a vida útil do combustível e atender a diferentes demandas, como produção de radioisótopos, irradiação de alimentos, geração de calor e energia, além de abrir caminho para aplicações futuras em propulsão nuclear.
Para ambos os pesquisadores, o principal desafio está na burocracia envolvida na pesquisa científica e tecnológica. Nathali menciona as dificuldades com estudos em animais, enquanto Arthur cita entraves na regulamentação e no licenciamento.
Etapa 2 – Validação
Nesta nova fase do Catalisa ICT, os projetos passam por um acompanhamento técnico e gerencial que visa validar a viabilidade das soluções desenvolvidas. Nathali destaca que o suporte contínuo é o principal diferencial do programa.
“O acompanhamento mensal é o ponto forte desta etapa. Ter esse apoio constante ajuda a seguir com o projeto com mais segurança”, explica.
Arthur ressalta a importância das oportunidades de exposição e intercâmbio de ideias proporcionadas pela iniciativa.
“Também participei do projeto SP Global Tech da InvestSP, que aborda internacionalização e que, junto com o SEBRAE, foi o responsável por minha presença em eventos como o APIMONDIA, Congresso Mundial de Apicultura. Sempre que posso, falo sobre ambos os projetos, o de apicultura e o nuclear”, comenta, dando como exemplo visitas estratégicas à Embaixada do Brasil e ao governo de Copenhague.
O pesquisador também representou o Brasil no KOMANDA, uma conferência na Rússia, onde apresentou sobre microrreatores e aproveitou o networking internacional para discutir o potencial da tecnologia nacional.
Conselhos para quem deseja transformar ciência em inovação
Encerrando a entrevista, os dois pesquisadores deixaram uma mensagem para quem busca seguir o mesmo caminho:
Nathali: “É preciso persistir. Não é fácil conseguir apoio financeiro, mas acreditar nas próprias ideias é fundamental.”
Arthur: “Tenha perseverança. Encontre uma forma de fazer dar certo”.
Imagem: Divulgação SEBRAE

