Brasileiro se destaca em curso de elite da World Nuclear University na China e conquista 3º lugar em competição internacional

Brasileiro se destaca em curso de elite da World Nuclear University na China e conquista 3º lugar em competição internacional

O engenheiro e pesquisador brasileiro, egresso do Programa de Pós-Graduação do CDTN/CNEN, Dr. Vitor Fernandes de Almeida (30), conquistou uma posição de destaque ao ser selecionado para o prestigiado curso “The World Nuclear Industry Today”, promovido pela World Nuclear University (WNU) em parceria com a renomada Universidade de Tsinghua, na China. Ele é o primeiro latino-americano a participar dessa edição do programa, reafirmando o potencial da formação nacional no cenário internacional da energia nuclear.

A oportunidade surgiu por meio de uma criteriosa seleção feita pela própria universidade chinesa, com base no desempenho acadêmico dos alunos. O curso, reconhecido globalmente pela excelência técnica e participação de especialistas renomados, trouxe uma imersão em conteúdos atualizados sobre o setor nuclear e networking com importantes nomes do mercado internacional nuclear.

“Foi uma experiência única. Só de ter sido selecionado já foi uma grande conquista. A Tsinghua é considerada a melhor universidade da Ásia e uma das melhores do mundo em tecnologia nuclear”, afirma o pesquisador.

Diálogo internacional e reconhecimento

Durante o curso, o brasileiro teve contato direto com grandes nomes do setor, como o professor francês François Morin — atuante em megaprojetos nucleares envolvendo três continentes — e o argentino Abel González, autoridade mundial em proteção radiológica. Ambos destacaram a relevância da presença latino-americana na formação e expressaram interesse em acompanhar de perto sua trajetória.

“Fui recebido com surpresa e entusiasmo. Eles reconheceram a importância de ver um representante da América Latina nesse espaço e destacaram que meu caminho pode inspirar outros brasileiros e latinos a trilharem trajetórias semelhantes”, relata.

Destaque em competição internacional

Ao final do curso, os participantes foram desafiados a desenvolver um projeto em grupo sobre temas atuais da indústria nuclear. Dividido com alunos da China e do Cazaquistão, o grupo liderado pelo brasileiro conquistou o 3º lugar entre dez equipes. A liderança, segundo ele, foi baseada na empatia, comunicação intercultural e no aproveitamento das qualidades de cada integrante.

“O improviso, a adaptabilidade e o carisma, que são características naturais dos brasileiros, foram diferenciais. Transformei o grupo em um espaço de confiança, e juntos conseguimos alcançar um resultado incrível. ”

Formação nacional como base para o futuro

A trajetória internacional começou quando o mineiro ainda estava no Brasil, durante o mestrado no CDTN, quando venceu a World Nuclear Olympiad (WNU) em 2019. Posteriormente, mesmo já com título de doutor, aceitou o convite para um segundo mestrado profissionalizante na China, com foco em gestão de projetos e atuação direta em empresas nucleares. O programa inclui estágios nas três maiores companhias nucleares do país: CGN, CNNC e SPIC.

“Mesmo já sendo doutor, entendi que essa era uma oportunidade de imersão prática no setor nuclear mundial. Meu orientador, o Dr. Amir Zacarias Mesquita, sempre incentivou que aproveitássemos todas as oportunidades, e essa foi uma das mais importantes da minha carreira. ”

O papel do Brasil no cenário nuclear

Segundo Vitor, o Brasil é um país com imenso potencial energético, mas enfrenta desafios estruturais e políticos que impedem um avanço estratégico no setor nuclear.

“O Brasil tem uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, mas ainda há milhões de brasileiros sem acesso à eletricidade. A energia nuclear não deve ser vista como substituta, mas como complementar às fontes renováveis. Ela oferece estabilidade e é uma alternativa viável para regiões como a Amazônia, onde projetos de SMRs podem ser aplicados com baixo impacto ambiental. ”

Sobre Angra 3, o doutor destaca a urgência de sua conclusão, não apenas como questão econômica, mas de credibilidade internacional.

“Se não concluirmos Angra 3, dificilmente novos reatores sairão do papel. É uma decisão que vai muito além dos custos. É uma questão de sobrevivência do setor no Brasil. ”

Energia nuclear como futuro inevitável

Para ele, a energia nuclear é uma solução inevitável diante do crescimento da demanda energética global e das limitações das fontes intermitentes.

“A energia nuclear já não é mais o futuro, é o presente. E ela será essencial se quisermos manter o equilíbrio entre desenvolvimento e preservação ambiental. ”

Conectando o Brasil à inovação nuclear

Ao ser o primeiro latino-americano nesse programa, ele se vê como uma ponte entre o Brasil e a China, país que mais cresce em infraestrutura nuclear no mundo. E defende a importância de acordos bilaterais, trocas de conhecimento e investimentos em parcerias tecnológicas.

“A energia nuclear é, por natureza, um setor globalizado. Nenhum país desenvolve sozinho. A internacionalização é chave para o progresso e o Brasil precisa estar nesse circuito. ”

Conselho aos jovens brasileiros

A mensagem final é direta para os jovens que sonham com uma carreira na área nuclear:

“Se você tem esse sonho, não desista. É uma área desafiadora, mas que oferece muitas oportunidades internacionais. Tenha resiliência, busque experiências fora do país e acredite no seu potencial. A energia nuclear é inevitável, e o Brasil tem um papel importante a cumprir nesse futuro. ”

Fotos: Arquivo pessoal

Alunos internacionais do meu programa (TUNEM) da Tsinghua University

Conversando com o professor Abel Gonzalez (Argentina)
O da direita é o Professor François