O Instituto de Engenharia Nuclear (IEN), unidade da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), sediou pela primeira vez na América Latina o curso Nuclear Energy Management School (NEMS), promovido pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). A iniciativa inédita reuniu, no Rio de Janeiro, entre os dias 23 de junho e 4 de julho deste ano, participantes interessados em ampliar sua capacitação técnica, gerencial e estratégica para atuar em programas nacionais de energia nuclear.
Segundo a coordenadora da edição brasileira do curso, Dra. Maria de Lourdes Moreira (IEN/CNEN), sediar o NEMS foi um momento histórico:
“Esse é um dos cursos mais importantes da AIEA para a formação de lideranças no setor nuclear, e a escolha do Brasil demonstra o reconhecimento internacional da nossa competência técnica e institucional”, afirmou.
Além de promover conhecimento técnico, o curso contribui para a formação de profissionais com visão integrada e estratégica do setor. Os participantes tiveram aulas sobre temas como segurança, regulação, políticas energéticas, ciclo do combustível nuclear e desenvolvimento tecnológico. A programação também incluiu visitas técnicas à Central Nuclear de Angra 2, à fábrica da INB e ao Reator Argonauta símbolo da pesquisa nuclear no país.
O protagonismo do IEN
O IEN foi escolhido como sede do curso por reunir uma infraestrutura técnica robusta, corpo docente qualificado e uma longa trajetória na formação de recursos humanos em ciência e tecnologia nuclear. “Apresentamos uma proposta alinhada aos objetivos do curso, com apoio institucional da CNEN e parcerias com instituições-chave como Eletronuclear, INB e Amazul”, destacou a pesquisadora.
Realizar o NEMS envolveu um complexo trabalho de articulação e logística. A equipe organizadora teve que adaptar o conteúdo para um público internacional e multidisciplinar, providenciar transporte, alimentação e hospedagem dos participantes, além de garantir conforto e segurança durante todo o curso.
Integração internacional e valorização do contexto brasileiro
Embora o conteúdo do NEMS siga um formato internacional padronizado, a edição brasileira trouxe um diferencial: a valorização das competências e exemplos locais. Segundo a coordenadora, foram incluídas palestras com especialistas brasileiros sobre os reatores de pesquisa nacionais, o ciclo do combustível desenvolvido no país e tecnologias emergentes, como o uso de realidade virtual em operações nucleares.
Essa integração foi essencial para atender à diversidade dos participantes — que incluíam engenheiros, físicos, gestores públicos e representantes de agências reguladoras. “Oferecemos uma formação ampla, aplicada e de alta qualidade”, reforçou.
Formando líderes para o futuro da energia nuclear
Mais do que conhecimento técnico, o curso busca desenvolver habilidades de liderança, pensamento estratégico e atuação integrada em políticas públicas, regulação e inovação tecnológica. “O NEMS identifica e prepara jovens talentos com potencial de liderança, dando a eles uma base sólida e uma visão de longo prazo”, disse Maria de Lourdes.
A formação de novas lideranças é essencial para a continuidade e modernização do programa nuclear brasileiro. “Com essa capacitação, estamos plantando as sementes de uma nova geração de lideranças técnicas e institucionais, capazes de dar continuidade e inovação ao nosso programa nuclear, com segurança, competência e compromisso com o desenvolvimento sustentável”, concluiu.
Depoimento de quem viveu a experiência
Lucinda Fernandes da Silva, tecnologista sênior do IEN e participante do curso, compartilhou sua experiência no NEMS:
O que mais te marcou na experiência do NEMS?
“O conhecimento abrangente na área da tecnologia nuclear, envolvendo os principais conceitos, aplicações, normas, gerenciamento e economia global”
Como essa capacitação influencia seus planos de carreira no setor nuclear?
“A minha participação no NEMS foi muito produtiva na minha carreira profissional, ampliando o meu conhecimento técnico através das aulas e dos trabalhos desenvolvidos em equipes, como os seminários e estudos de casos reais em usinas nucleares”
Qual foi o principal aprendizado ou diferencial que você levará do curso?
“O diferencial do NEMS, na minha opinião, foi a visão global de uma usina nuclear, que foi especialmente autenticada através de nossa visita à unidade nuclear de Angra II”
Foto: Gledson Júnior
Divulgação: Comunicação Social IEN/CNEN