Esta semana teve início a Semana Atômica Mundial, organizada pela estatal russa Rosatom, em celebração aos seus 80 anos de atuação na indústria nuclear. A cerimônia de abertura contou com a presença do presidente da Rússia, Vladimir Putin.
O Brasil esteve representado por membros da Associação Brasileira de Energia Nuclear (ABEN). O diretor de Comunicação, Jairo Bastos, participou como correspondente oficial por meio da página Universo Nuclear, realizando a cobertura em tempo real e entrevistas com personalidades do setor. Já a diretora regional de Belo Horizonte, Dra. Clédola Cássia Tello, integrou um painel sobre o uso final da energia nuclear no mundo.
“Falei sobre o Centro Nacional de Tecnologia (CENTENA), projeto que prevê o armazenamento final dos rejeitos de baixo e médio nível do Brasil. Achei o painel muito interessante, pois reuniu países pequenos e grandes, como Rússia e China. Percebemos que todos enfrentam questões semelhantes, mas cada um apresenta soluções que podemos aproveitar no Brasil. Foi uma experiência muito enriquecedora”, relatou a diretora.
Outro representante brasileiro foi o deputado federal Júlio Lopes, presidente da Frente Parlamentar Mista da Tecnologia e Atividades Nucleares. Em entrevista à Revista Veja, ele destacou que o Brasil está entre os seis países do mundo com tecnologia para enriquecer urânio a 20% e mencionou a construção do primeiro sistema nuclear de pequeno porte nacional. Também participou do evento o ex-ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque.
Durante sua intervenção, a diretora-geral da World Nuclear Association (WNA), Sama Bilbao y León, ressaltou o potencial brasileiro no mercado nuclear e a necessidade de o país decidir se pretende assumir um papel de liderança global. Segundo ela, o Brasil já é reconhecido por possuir uma das matrizes energéticas mais limpas entre as grandes nações, mas precisa definir se deseja consolidar sua presença no setor nuclear mundial. A declaração foi repercutida pela Folha de São Paulo.