Após a repercussão da série “Emergência Radioativa”, da Netflix, que retrata o acidente com Césio-137 em Goiânia, o Instituto de Engenharia Nuclear (IEN) identificou a oportunidade de revisitar essa história sob uma nova perspectiva: a dos pesquisadores que atuaram diretamente na emergência. A iniciativa partiu do Serviço de Comunicação Social (SECOS), que desenvolveu a série documental intitulada “Se não nós, quem? ”
A produção foi conduzida integralmente pela equipe do SECOS, responsável pelas etapas de produção, roteirização, filmagem e direção.
“Começamos com um argumento inicial que já trazia a ideia central do título: se não fossem esses profissionais, quem poderia salvar aquelas pessoas? Com o tempo, essa ideia evoluiu para um roteiro mais denso e assertivo, com uma narrativa didática e envolvente”, explica a chefe do Setor de Comunicação Social, Ana Paula Saint’Clair.
As gravações foram realizadas no próprio IEN, com exceção da entrevista com o diretor da série “Emergência Radioativa”, Fernando Coimbra, feita na Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro.
Inicialmente concebido como um documentário de 15 a 20 minutos, o projeto ganhou novas proporções durante a produção. “Quando percebemos, já tínhamos cerca de três horas de conteúdo de alta qualidade. A partir disso, optamos por dividir o material em três episódios, cada um com cerca de 13 minutos, publicados no canal do IEN no YouTube”, conta Ana Paula.
Com quatro meses de produção, o documentário já soma mais de 1.600 visualizações, considerando os três episódios e o trailer.
Para a seleção dos depoimentos, a equipe do SECOS realizou um levantamento dos profissionais do instituto que atuaram no controle do acidente, tanto em Goiânia quanto no Hospital Marcílio Dias, no Rio de Janeiro. Entre os personagens está Walter Mendes, servidor da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e não só um dos primeiros a chegar ao local do acidente, mas o primeiro a identificar a radiação naquela área e, depois, associá-la ao Césio.
O roteiro priorizou a construção de uma narrativa a partir dos próprios relatos dos entrevistados, resultando em uma abordagem mais humanizada, pessoal e livre de estigmas.
“A verdade é que profissionais altamente qualificados foram para a linha de frente de um acidente de grandes proporções e impediram que a tragédia fosse ainda maior. Eram especialistas comprometidos, preparados e com o senso de responsabilidade esperado dos melhores. Essa visão já havia sido abordada de forma inédita pelo Fernando Coimbra na série, e isso nos inspirou a dar visibilidade a esses homens e mulheres que fizeram história no Brasil, mas que ainda não eram reconhecidos dessa forma”, afirma Ana Paula.
Segundo os organizadores, a principal mensagem do documentário é a importância da confiança na ciência e nos profissionais do setor nuclear brasileiro.
“A nossa intenção é despertar o interesse do público, inclusive daqueles que conheceram o acidente por meio da série, pela ciência de ponta desenvolvida no Brasil e pelo trabalho dos profissionais do setor nuclear”, finaliza.
Assista o documentário aqui.
Arte: Gledson Júnior/ Comunicação Social IEN